segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Poema de All faces

Quando nasci
desconfio que o anjo disse:
vai vai vai depressa!!
calma anjo, tenho preguiça
e muitas dúvidas também

sofrer por mulher
é mal de poeta
isso já acostumei

sou simples até mesmo forte
mas por mais que tente
não consigo ser sério

brigo e faço pazes com Deus
normal num relacionamento de amor
passei muito tempo fantasiando coisas
agora procuro sempre saber quem sou

mundo mundo
quando estiver moribundo
que tenha cumprido a sina
mundo
toda solução tem uma contradição que rima

não sei certo
mas era lua cheia
e o anjo estava mesmo bêbado

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Casa

A casa não dizia nada
não tocava nada não passava filme
tinha muito silêncio na casa

Cômodos humanos gatos
tudo no mesmo espaço
mas não se ouvia vagido de gata nem miado de gente
tinha muito silêncio na casa

Meu pai corre a porta do armário
um salto peludo não é o casaco nem seu sapato
-Vai morrer gato!
e a gente morre de rir

Ministério da corrupção 4

Grossi amava Dirceu que amava Delúbio que amava Queiroz que amava Tolentino que amava Barroso que não amava os últimos dois
Grossi deu a Dirceu emprego na biblioteca, Queiroz queria contratar Tolentino para trabalharem na firma dele, Barroso achou: ai já é demais! Delúbio tomou no CUT um cargo pra si, besteira que pensou agora tomamos mesmo eu e você



* Uma paródia do poema do Drummond chamado Quadrilha, irônico não?

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Polícia na TV (uma história real de amor)

No painel o rádio mudo
na nuca lâmpada iluminava o ego
o pontinho vermelho da câmera um sinal de entrar em ação.
Em casa ninguém perdia o programa
pro filho um herói, com o cunhado, muitíssimo respeitado
a polícia andava monótona mesmo em Hollywood
e aquele rapaz seduzindo a mocinha em praça pública
foi a conta:
- Boa noite meliante identidade por favor, o motivo da abordagem:
                                                                       [denúncia de sedução,
                                                                  [viemos na função do dever
Acostumado lidar com números gente não é diferente
apostou no bilhete do rapaz, não deu outra
tem passagem de outros anos  pelo porte dum cigarro de maconha.
A mocinha esclareceu conhecê-lo do trabalho,
a guarnição renitente na averiguação,
interrogados coibidos constrangidos
o câmera não perdia nada da ironia,
a moça tentou amenizar entrou em prantos, maldizendo a sorte
estava de olho no rapaz fazia tempo
mesmo antes dele sofria sem amores
desesperada o seguia  quase um mês
(a denúncia foi pra ela e o cana nem notou)
quando finalmente tem retorno a investida, surgem autoridades
Chorava coitadinha, bonita mas não sabia que atualmente
pra arrumar um namoro tem que baixar um aplicativo tinck fruck book
esperar que te curtam ou pelo menos te aceitem

domingo, 21 de setembro de 2014

Dom Tom Batom

Tudo tem um tom
tudo tem um tom amigo
e tudo tem um dom

tudo tem um dom
e tudo tem batom
tudo tem batom amigo, e eu
como é que fico?

no tom desafino
batom desatino
e o dom amigo,
quem sabe não este

Dicionário romântico

Ambos:
num um
o outro
os dois

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Globalização amorosa

Carro dela me atropela
não sabia que haviam tantos por ai
o índice de acidentes aumentou muitíssimo no meu coração
meu erro conduz lembrança sem habilitação


Dia-a-dia aquele frio na barriga
consolo faz da comida cobertor
gordura engorda baixa estima
bebo calórico obeso de amor
e ela nunca parou no drive thru
pra dizer: i Love you

Terror itinerante

No caminho dos trilhos do trem
cada metro percorrido aumentava expectativa de perigo
(me mantive a passos largos)
vida somente vegetal e de repente:
uma galinha
duas, não ia sozinha
à frente um cão caolho
voltada mancando do meu destino
persisti no itinerante
até as luzes da cidade
tumulto rodoviário, cachorrada malandra
sugeriam terror familiar
com tom de comédia
Restou o ônibus de volta
agora ela
não estava mesmo por lá

Cantiga de mercado

Escolhendo legumes
aquele anjinho
na seção de bebidas
em desalinho

Sensatez ou loucura
eu quis saber
gosta muito de verdura
ou gosta mesmo é de beber?

Me aproximei do anjinho
pra conseguir seu apreço
de uma garrafa de vinho
falei de sabor e preço

Ela adorou a sugestão
levou o que eu tinha falado
logo me disse: não!
foi beber com namorado

Amor sobre rodas

A mocinha esperava ansiosa
pelo carro do namorado

Disfunção

As coisas estavam mole feito meu coração
masculinidade me atirava pedras vaidade vaias
o porquê do acaso, o comentário com as amigas
muitas interrogações e nada de exclamação
(se é que me entende)
falta de sucesso e sossego me impediam ver o corpo nu na minha frente
seu consolo não consolava que na minha cabeça ela ia precisar dum consolo tendo um
                                                                                                                                                homem desses
(se é que me entende)
as piadas eram todas sobre mim, confeccionadas por mim, me desmoralizando como agora
acontece...
Duro é admitir: brochei
Víbora
da vulva carnívora
indecente
sorri impune/mente
transgressiva
aos erros da vida
doce
mamilos docinhos
utópica
inerente ao cosmo
versátil
tem desejo pluralista
soberana
dessa raça humana
esperta
com a perna aberta
quente
seu cheiro ferve
motivante
rosto inchado de sono
sabida
sabe das coisas
carente
                um tanto
carinhosa
                  carismática
adjetival
tentei listar
me perdi no labirinto
da cabeça de mulher

Velório do poeta

Perdoe toda hipócrita palavra até (de) agora
A doce velhinha foi uma jovem puta que fez carreira numa cafetina fria
Olhos mansos do cãozinho despontaram fúria que mastiga fatalmente minha filosofia inútil
Natureza animal feito humana
sem batom e intervalos comerciais
O mundo me enganou amigo, chamá-lo assim me cai com peso que não caiu cedo ao padeiro
Contradições disparam expectativas
Se não é acusado ou suspeito
está foragido
Continua a guerra em entender e se entender sem UPP
O percurso é longo
e não há palavra que me levará a lugar algum