segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Traça

Seu ofício
           bem sabia:
roer poesia.
Morava e trabalhava
na prateleira
dum sebo distante
roendo palavras
               incessante

Um dia,
      não notada,
foi envelopada
viajou quilômetros
        até minha casa

O livro bolorento
me causou espirro
que acordou a bicha
sem cair sua ficha
de estar em perigo

Foi direto à cozinha
lanchar palavrinhas
coitada...
se achava esperta
morreu esmagada
na página aberta

Como sou bonzinho
deixarei sua lápide:
Aqui jaz
(já não existe mais)
assim com rimas
que adorava poemas

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